A avenida que quase ninguém chama pelo nome
Pergunte a qualquer morador onde fica a Avenida José de Souza Campos e muita gente vai pensar um pouco antes de responder. Agora pergunte pela Norte-Sul. Todo mundo sabe.
A via que passa entre o Cambuí e a Nova Campinas é uma das mais conhecidas da cidade, mas o nome oficial quase sumiu do vocabulário de quem vive aqui. Por trás dele está um personagem dos primeiros tempos de Campinas.
Por que todo mundo diz Norte-Sul
O apelido é simples: a avenida liga as regiões Norte e Sul da cidade. Com cerca de 3 km, ela continua na Avenida Júlio Prestes, rumo ao Taquaral, e na Avenida Princesa D'Oeste, rumo à região sul e aos estádios de Guarani e Ponte Preta.
O apelido descreve tão bem o que a via faz que acabou vencendo o nome de batismo, que ela só recebeu em 1949, quando ainda era uma rua sem nome.
Quem foi José de Souza Campos
A homenagem de 1949 foi a um campineiro nascido em 1797, quando a cidade ainda era a Vila de São Carlos. Os registros históricos contam que ele:
- era bisneto de Barreto Leme, nome ligado à fundação de Campinas;
- foi procurador do Conselho em 1822 e participou dos acontecimentos da Independência, na vila;
- foi vereador nas décadas de 1830 e 1840;
- está entre os fundadores de Sousas, hoje distrito de Campinas;
- é lembrado como um dos pioneiros do café na região, na Fazenda Atibaia.
Ele morreu em 1858. Ou seja: quem atravessa a Norte-Sul hoje passa por um nome que vem de antes de Campinas ser cidade.
Curiosidade: você pode encontrar o nome escrito de duas formas, "Souza" e "Sousa". As duas aparecem em textos e endereços da avenida.
O córrego que passa embaixo da avenida
A Norte-Sul acompanha o córrego Proença, antes conhecido como córrego dos Lava-pés. Durante anos, a região sofreu com enchentes, até o córrego ser canalizado e coberto em 1996.
A via já tinha sido ampliada a partir do planejamento urbano de Campinas do fim dos anos 1960, e o comércio começou a chegar nos anos 1980. Depois da canalização, a transformação ganhou força: lojas, concessionárias e prédios comerciais tomaram conta da avenida.
A vitrine comercial de Campinas
Hoje a Norte-Sul é um dos endereços corporativos mais conhecidos da cidade, tanto que um texto de memória publicado pela Emdec a chamou de "a nossa Avenida Paulista". Alguns dos prédios que você vê ao passar por ali:
Dahruj Tower: torre corporativa no Cambuí, com lajes de até 637 m², fachada de vidro e heliponto.
Trade Tower: torre classe A na Nova Campinas, com lajes de até 1.000 m² e heliponto ativo.
Toulon Office Center: 12 andares, com laje de cerca de 360 m² por andar e lojas no térreo.
Helbor Offices Norte Sul: salas de 60 a 72 m² com vaga, auditório e estacionamento para visitantes.
Piazza Affari: junto à avenida, na Rua José Pires Neto, com 12 andares e lajes de 425 m² divisíveis.
Cambuí Corporate: no Cambuí, na Avenida Coronel Silva Teles, com lajes de até 765 m².
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Fontes: Emdec (Memória: Norte-Sul, a nossa "Avenida Paulista"), Prefeitura de Campinas e blog Pró-Memória de Campinas. Datas e detalhes biográficos podem variar entre os registros históricos.
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